Apple pode perder US$ 74 bilhões em faturamento na China

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Com queda provocada por duas medidas do governo chinês, ações da Apple caíram 6,1% entre 05 e 07 de setembro, fazendo a empresa valer cerca de US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) menos do que valia antes desta data. O país oriental proibiu iPhones em escritórios do governo e divulgou que a China planeja expandir essa proibição para agências governamentais e empresas estatais. Essa determinação do governo chinês é uma tentativa de fazer com que setores sensíveis sejam menos dependentes de tecnologia estrangeira. 

Pode ser ainda uma contrapartida à decisão de junho da União Europeia, de limitar o envolvimento da chinesa Huawei no desenvolvimento das redes 5G. Também há indícios de que possa ser uma retaliação às restrições dos EUA às vendas de chips de alta tecnologia para a China.  

Outra preocupação do governo chinês é que a Apple está superando empresas locais de smartphones ao capturar uma fatia desproporcional do mercado doméstico. Os concorrentes chineses vendem mais unidades, mas graças aos preços de seus smartphones, a Apple ganha mais dinheiro. Esses resultados tornam a China o terceiro território mais lucrativo da Apple, depois das Américas (US$ 170 bilhões no ano fiscal de 2022) e da Europa (US$ 95 bilhões em 2022). A China, na prática, representa quase 20% da receita global da Apple.

Como a Apple se tornou uma empresa tão chinesa quanto americana

A falta de vendas para pessoas no governo e em empregos relacionados ao governo é uma coisa, mas a imagem da Apple na China pode estar mudando para algo que não é bem visto pela elite governante, ou para uma ferramenta de inimigos ocidentais. Isso poderia resultar em quedas muito maiores nas vendas.

No entanto, a China é um problema significativamente maior para a Apple. Apesar das tentativas recentes produzir fora da China, incluindo a transferência de parte da produção para a Índia e instigando o principal fornecedor, a Foxconn, a investir na produção nos EUA, no Vietnã e no México, os especialistas afirmam que a desvinculação da China poderia levar anos, se for possível.

Apenas uma planta em Zhengzhou produz 85% de todos os modelos iPhone Pro, os smartphones mais caros e lucrativos vendidos pela Apple. Isso torna a empresa fundada por Steve Jobs quase tão chinesa quanto americana, de acordo com o professor da Universidade Cornell, Eli Friedman, em entrevista recentemente à CNN.

Em certo sentido, a China também precisa da Apple. Centenas de milhares de chineses trabalham fabricando os produtos da Apple para o mercado global, trazendo bilhões de dólares de valor para a economia chinesa. No entanto, o governo chinês está frequentemente disposto a aceitar perdas temporárias táticas em busca de ganhos estratégicos maiores.

Em última análise, enquanto a guerra econômica latente entre os EUA e a China continuar – com a Europa em certa medida ao lado dos EUA – a Apple e a China existirão em uma relação complexa e desafiadora. E isso significa que a receita da Apple pode sofrer um impacto negativo a longo prazo.

Fonte: Forbes

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